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Introdução



"The reasonable man adapts himself to the world; the unreasonable one persists in trying to adapt the world to himself. Therefore, all progress depends on the unreasonable man."

George Bernard Shaw


Depois de passar no vestibular para Ciência da Computação, pude ter tempo para começar a me dedicar a edição de modelos em 3d e o meu interesse pela área cresceu gigantescamente nos últimos dois anos. Já que para criar arte com o computador é, obviamente, necessário conhecimento e talento artístico e não conhecimento das formulas que formam os gráficos, comecei a achar que eu era mais um daqueles casos de pessoas que erraram de curso. E após fazer essa cadeira constatei que errei mesmo.

Entretanto, fiz os textos sobre Computação Gráfica e não sobre algum dos temas propostos por dois motivos, um deles por ser a área onde pretendo trabalhar, como falado no parágrafo anterior, e outro por achar que arte em geral é muito ampla e subjetiva para se fazer grandes discursos. Dizem que "toda arte é expressão, mas nem toda expressão é arte", mas quem pode dizer quais expressões são arte e quais não?

Uma vez me contaram, ou li em algum lugar, que o termo "artista" só surgiu nos últimos 200 anos, e que Michelangelo, Leonardo da Vinci, e outros artistas renascentistas não eram considerados artistas nem se consideravam artistas, e sim trabalhadores como um pedreiro que constrói um prédio, apenas com outra função. Isso me fez parar pra pensar em como surgiu esse termo. Como hoje determinadas coisas são consideradas arte e porque essas mesmas coisas não eram a 500 anos, ou vice-versa. A primeira teoria que me veio a cabeça foi de que esse termo surgiu para definir pessoas que fazem o que querem e tem prazer em realizar isso. O chamado "artista" que surgiu recentemente não se rende as definições impostas pela sociedade. Ele é o "unreasonable man" citado na frase de Shaw, uma pessoa que quer viver a vida da sua forma, e que mudará o mundo se for preciso para tal. Porem, as pessoas parece que exageram nesse conceito de artista e ao invés de criar arte ficam numa eterna luta para adaptar o mundo a sua forma, como se arte fosse a luta, e não a expressão. E assim ficam numa eterna discussão sobre o que é arte e o que não é arte, como se alguém pudesse dizer que o ponto desse "i" é mais artístico do que aquele outro. Arte existia antes do conceito atual de "arte", muitas pessoas admiram obras fantásticas como o teto da capela sistina, mas essa obra não passa de uma propaganda para Deus, esse citado teto tem a mesma função que um outdoor nos dias de hoje, a única diferença é que o outdoor não foi feito para vender lugares no céu. Os inúmeros retratos pintados depois da Idade das Trevas não passam de fotografias compradas por burgueses ricos. Hoje esses "retratos comprados" que tinham valor de uso e de troca na época são considerados arte, mas a arte criada hoje tem que transcender o valor de uso e de troca para ser considerada arte, fazendo com que a arte existente na obra seja a tentativa de transcendência, e não a obra em si. Ou seja, hoje já não se sabe mais o que é arte ou não. A minha opinião é simples, arte é arte, ponto. E não passa disso pois é um conceito muito subjetivo e vago para ser definido em palavras, podendo ainda variar muito de pessoa para pessoa, logo é melhor que permaneça assim.

Ainda sobre arte e tecnologia (ou melhor, arte VS tecnologia), eu acho uma atitude nobre alguém nadar contra a maré mas, nesse caso ao menos, é inútil. Tão nobre, porem sábio, é aquele que, ao invés de nadar contra a maré, canaliza-a e a conduz a seu bel prazer. Discutir a artificialidade da arte produzida com um computador é como discutir a artificialidade da luz emitida por uma lâmpada. É obvio que não é a luz do sol, mas ilumina, de sua forma especifica e peculiar. O mesmo ocorre com a arte digital, também é arte, mas de sua forma especifica, da mesma forma como escultura é uma forma de arte e pintura é outra. Um computador não é nem mais nem menos, é apenas e unicamente um mero computador, como um pincel é apenas um pincel e a argila é apenas argila. Existem técnicas especificas para se trabalhar com cada um, mas é só. O problema é que as pessoas "mitificam" o computador, como se fosse algum monstro de sete cabeças que vai devorar as pessoas não fazendo mais elas saírem de casa porque podem fazer tudo de lá. Provavelmente achavam a mesma coisa do telefone quando ele surgiu, mas as pessoas continuaram tendo suas vidas normalmente, visitando uma as outras. O telefone, assim como o computador, só serviu para facilitar a vida das pessoas. Toda a tecnologia criada nesse século não serve pra mais nada a não ser facilitar a vida do ser humano.

Da mesma forma como é errado forçar uma criança a usar grafite ao invés de lápis de cera, também é errado forçar uma criança a só usar um computador e não deixa-la usar outra coisa, ou vice-versa. A tecnologia só existe para trazer-nos benefícios, e não para roubar o lugar de nada nem de ninguém, só precisamos utiliza-la de forma correta. Fazendo, neste semestre, uma cadeira no instituto de informática e outra no instituto de artes, pude constatar que ambos parece que estão em extremos opostos. Onde na informática é uma heresia pensar qualquer coisa fora do padrão ou não viver em meio a computadores, na artes é uma heresia ou no mínimo algo ainda muito estranho se falar de computador, como se ele fosse uma ameaça a expressão e liberdade artística, quando é exatamente o contrario. Proibir ou exigir qualquer coisa é limitar a liberdade, e o preconceito é uma certa forma de proibição. Nos Estados Unidos, todas faculdades de artes já possuem, à algum tempo, cursos de computação gráfica, web design e outras artes especificamente criadas com computador. Já existe ate cursos para formar "tech artists", ou artistas técnicos, que aprendem ao longo do curso tanto o lado técnico de mexer com o computador como o lado artístico de criação, misturando homogeneamente um curso de computação com um curso de artes plasticas. No Brasil, entretanto, o computador ainda é uma coisa distante das pessoas, sendo ainda visto como um bicho ameaçador ou como uma mera ferramenta de escritório, quando pode muito facilmente ser utilizado para criar muitas coisas legais ou se tirar muito prazer das vantagens que proporciona.

Enfim, os três textos tratam sobre computação gráfica, especificamente sobre a criação de ambientes, cenas e modelos em 3d. O primeiro é sobre a área em geral, falando genericamente como é trabalhado esse tipo de arte. Os dois textos seguintes analisam a utilização dessa arte em jogos eletrônicos e filmes, respectivamente.